Dr Leonardo Macedo

Um guia simples e honesto sobre a técnica com as maiores taxas de cura do câncer de pele. É também a que mais preserva a sua pele saudável.

Por Dr. Leonardo Gonçalves Macedo · Cirurgião Oncológico, Cabeça e Pescoço · Araguaína-TO

dr leonardo macedo - especialista em cancer de pele

Se você chegou até aqui, talvez tenha acabado de receber o diagnóstico de um câncer de pele. Ou talvez alguém que você ama esteja passando por isso. Eu sei que a palavra “câncer” assusta. Quero começar com uma notícia boa: a grande maioria dos cânceres de pele tem cura, principalmente quando o tratamento é bem escolhido desde a primeira cirurgia.

Neste texto, quero conversar com você do mesmo jeito que converso no consultório: com calma, sem termos complicados e com toda a sinceridade. Vou explicar o que é a cirurgia de Mohs, como ela funciona, o que dizem as maiores referências do mundo sobre ela e, também, quando ela não é necessária.

dr leonardo lamina carcinoma basocelular - cirurgia de mohs

O carcinoma basocelular é o tipo mais comum de câncer de pele.

O câncer de pele é o mais comum no Brasil, e quase sempre tem cura

Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), o câncer de pele é o tipo de câncer mais frequente no Brasil. Em regiões de sol forte o ano inteiro, como o Tocantins e o Maranhão, ele aparece todos os dias no consultório.

Os dois tipos mais comuns são o carcinoma basocelular e o carcinoma espinocelular (também chamado de carcinoma de células escamosas). Eles costumam surgir no rosto, nas orelhas, no couro cabeludo, no pescoço e nas mãos, justamente as áreas que mais tomam sol. Muitas vezes começam como uma “feridinha que não cicatriza”, uma bolinha brilhante ou uma casquinha que sangra fácil.

A boa notícia é que esses tumores raramente se espalham para outros órgãos. O grande desafio é outro: tirar tudo na primeira vez, sem deixar raízes para trás e sem retirar pele saudável além do necessário.

dr leonardo lamina carcinoma basocelular - cirurgia de mohs

Carcinoma basocelular nodular: uma lesão brilhante, que pode sangrar e não cicatriza.

O câncer de pele pode ser maior do que parece

Imagine um iceberg. O que você vê na superfície da pele é só a ponta. Embaixo, o tumor pode ter “raízes” finas e irregulares, que crescem para os lados e para o fundo. Olho nenhum consegue enxergá-las, nem o do médico mais experiente.

Na cirurgia convencional, o cirurgião retira a lesão com uma margem de segurança fixa, geralmente de 4 a 6 milímetros em volta, e envia a peça para o laboratório. O patologista analisa a peça em cortes, como fatias de pão. É um método bom e consagrado, mas ele examina apenas uma pequena parte da borda. Se uma raiz escapou entre uma fatia e outra, ela pode passar despercebida, e o tumor pode voltar meses ou anos depois.

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Tumores infiltrativos crescem com “raízes” que não aparecem a olho nu.

dr leonardo macedo lamina carcinoma basocelular - cirurgia de mohs

Já os tumores expansivos têm bordas mais regulares e previsíveis.

O que é a cirurgia de Mohs?

A cirurgia micrográfica de Mohs foi criada nos Estados Unidos pelo médico Frederic Mohs, na década de 1930, e aperfeiçoada ao longo de quase 90 anos. A ideia dela é simples e genial: em vez de adivinhar até onde o tumor vai, o cirurgião confere tudo no microscópio durante a própria cirurgia.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia descreve a cirurgia de Mohs como “a técnica mais refinada, precisa e efetiva para o tratamento dos tipos mais frequentes de câncer da pele”, justamente porque praticamente 100% das margens são checadas ao microscópio.

dr leonardo macedo - carcinoma basocelular - mapeamento cirurgia de mohs

Esquema do método de Mohs: retirada em camadas e análise de toda a borda.T

Como funciona a cirurgia de Mohs, passo a passo

  1. Anestesia local. Você fica acordado, confortável e sem dor. Não precisa de anestesia geral nem de internação.
  2. Retirada da primeira camada. O cirurgião remove a parte visível do tumor com uma margem bem fina de pele, geralmente de 1 a 3 milímetros.
  3. Mapeamento. A peça é marcada com cores e desenhada em um mapa, como um GPS. Assim sabemos exatamente de que ponto da pele veio cada pedacinho.
  4. Análise no microscópio. A peça é congelada, cortada de um jeito especial e examinada na hora. Diferente do método convencional, aqui avaliamos toda a borda e todo o fundo.
  5. Nova camada, só onde precisa. Se ainda houver tumor em algum ponto, retiramos mais uma camada fina apenas naquele ponto. O resto da pele saudável fica onde está.
  6. Reconstrução. Quando o microscópio confirma que a margem está livre, fechamos a ferida no mesmo dia, com a melhor técnica para aquela região.
dr leonardo macedo mapeamento carcinoma basocelular - cirurgia de mohs

Primeira etapa: a camada retirada é fina e acompanha o formato do tumor.

dr leonardo macedo mapeamento carcinoma basocelular - cirurgia de mohs

O mapa em quadrantes mostra exatamente onde ainda há tumor, se houver.

dr leonardo macedo lamina carcinoma basocelular - cirurgia de mohs aplanamento

A peça é achatada para que toda a borda e o fundo sejam vistos no microscópio.

4 motivos para escolher a cirurgia de Mohs

1. A maior chance de cura entre as técnicas cirúrgicas

Como toda a margem é conferida antes de fechar a ferida, a chance de o tumor voltar cai bastante. Nos grandes estudos, a cirurgia de Mohs alcança taxas de cura de cerca de 99% no carcinoma basocelular que aparece pela primeira vez. No tumor que já voltou após outro tratamento, a diferença é ainda maior:

SituaçãoVolta em 10 anos com MohsVolta em 10 anos com cirurgia convencional
Basocelular que já tinha voltado (recidivado), no rosto3,9%13,5%
Basocelular primário, no rosto4,4%12,2%

Fonte: estudo randomizado de Maastricht (van Loo e colaboradores, 2014), o mais importante já feito comparando as duas técnicas no rosto.

2. Preserva a pele saudável

Parece contraditório, mas a cirurgia de Mohs costuma retirar menos pele do que a convencional. Ela começa com margens mais finas e só avança onde o microscópio mostra que é preciso. No nariz, nas pálpebras, nos lábios e nas orelhas, cada milímetro faz diferença na aparência e na função.

3. Resultado estético melhor e tudo no mesmo dia

Ferida menor significa reconstrução mais simples e cicatriz mais discreta. E, como a margem já foi confirmada, a reconstrução é feita no mesmo dia, com tranquilidade. Você não precisa esperar dias pelo resultado da biópsia para saber se vai precisar operar de novo.

4. Segurança e conforto

A cirurgia é feita com anestesia local, em ambiente ambulatorial, e você volta para casa no mesmo dia. As complicações são pouco frequentes, e a recuperação costuma ser tranquila.

A cirurgia de Mohs não é uma cirurgia maior. É uma cirurgia mais precisa: tiramos só o que tem tumor e conferimos toda a borda antes de fechar.

O que dizem as diretrizes internacionais (NCCN)

O NCCN (National Comprehensive Cancer Network) reúne os maiores centros de tratamento de câncer dos Estados Unidos e publica as diretrizes seguidas por oncologistas no mundo todo. Nas versões de 2026, o NCCN orienta o seguinte:

  • Carcinoma basocelular de alto risco: a cirurgia de Mohs (ou outra técnica com avaliação completa da margem) é uma das opções principais de tratamento. Ela também é indicada quando uma cirurgia anterior deixou margem comprometida.
  • Carcinoma espinocelular de alto e muito alto risco: a cirurgia de Mohs é recomendada como opção de tratamento.
  • Dermatofibrossarcoma protuberans (um tumor raro da pele): a cirurgia de Mohs é recomendada em vez da ressecção ampla tradicional, porque esse tumor tem extensões profundas e irregulares.

O NCCN explica por que dá tanto valor a esse método: para o painel de especialistas, a avaliação completa de toda a superfície da margem é a chave para retirar o tumor da melhor forma. No guia escrito para pacientes, o NCCN resume assim: a cirurgia de Mohs é muito eficaz no tratamento do carcinoma basocelular.

Quando a cirurgia de Mohs é mais indicada?

Seguindo o NCCN e os critérios de uso apropriado das sociedades americanas de cirurgia dermatológica, a cirurgia de Mohs é especialmente indicada quando:

  • o tumor está no rosto, principalmente nariz, pálpebras, lábios, orelhas e têmporas, ou nas mãos, nos pés e na região genital;
  • o tumor voltou depois de um tratamento anterior;
  • a biópsia mostrou um subtipo agressivo (como o basocelular infiltrativo, micronodular ou esclerodermiforme);
  • as bordas são mal definidas ou o tumor é grande;
  • o paciente tem a imunidade baixa, como transplantados, ou síndromes genéticas que favorecem o câncer de pele;
  • a cirurgia anterior deixou margem comprometida.

E quando ela não é necessária?

Aqui eu faço questão de ser sincero com você: nem todo câncer de pele precisa de cirurgia de Mohs. Um basocelular superficial pequeno nas costas, no braço ou na perna, por exemplo, pode ser tratado muito bem com a cirurgia convencional ou com outros métodos. Nesses casos, a vantagem do Mohs é pequena.

Por isso, a escolha do tratamento é sempre individual. Ela depende do tipo de tumor, do local, do tamanho, da sua saúde e da sua expectativa. Meu compromisso é indicar o que é melhor para você, e não o procedimento mais complexo.

“Não é muita cirurgia para um problema pequeno?”

Essa é uma das perguntas que eu mais ouço, e é uma ótima pergunta. A resposta é não. A cirurgia de Mohs pode demorar um pouco mais, porque esperamos a análise de cada camada. Mas, do ponto de vista da sua pele, ela é a cirurgia mais econômica que existe. Retira menos tecido saudável, confere mais margem e diminui a chance de precisar de uma segunda cirurgia no futuro. Muitas vezes, o tumor que parece pequeno por fora é justamente o que tem raízes escondidas por baixo.

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carcinoma basocelular - cirurgia de mohs

Reconstrução no mesmo dia, depois da confirmação de margens livres.

Perguntas frequentes sobre a cirurgia de Mohs

A cirurgia de Mohs dói?

Você sente apenas a picada da anestesia local no início. Depois disso, o procedimento é indolor. No pós-operatório, o desconforto costuma ser leve e controlado com analgésicos comuns.

Quanto tempo dura?

Depende de quantas camadas forem necessárias. Na maioria dos casos, entre duas e quatro horas, incluindo o tempo de análise no microscópio. Venha com calma, traga um acompanhante e algo para se distrair.

Vai ficar cicatriz?

Toda cirurgia deixa uma cicatriz, mas a cirurgia de Mohs busca a menor ferida possível. Com a reconstrução adequada e os cuidados certos, a cicatriz costuma ficar discreta com o passar dos meses.

Preciso ficar internado?

Não. A cirurgia é feita com anestesia local, e você vai para casa no mesmo dia.

O plano de saúde cobre?

A cobertura varia de acordo com o plano e o contrato. Nossa equipe orienta você sobre a documentação e ajuda nos pedidos de autorização.

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carcinoma basocelular - cirurgia de mohs

Orelha 16 dias após a cirurgia de Mohs para um carcinoma espinocelular.

Uma palavra final

Receber um diagnóstico de câncer de pele não é fácil. Mas você não precisa passar por isso sozinho, nem tomar decisões sem entender o que está acontecendo. A cirurgia de Mohs une o cuidado do cirurgião com a precisão do microscópio, para que você tenha a maior chance de cura com a menor marca possível.

Se você tem uma lesão que não cicatriza, uma pinta que mudou ou já recebeu um diagnóstico, procure avaliação. Quanto antes o tratamento, mais simples ele costuma ser.

Agende sua avaliação em Araguaína-TO

ICPT · Instituto do Câncer de Pele e Tireoide
Espaço Saúde · Av. Tocantins, 1640, 1º andar, salas 203 e 204, Setor Central, Araguaína-TO

WhatsApp: (63) 99236-6151 · www.drleonardomacedo.com.br

Dr. Leonardo Gonçalves Macedo
Cirurgião Oncológico, Cabeça e Pescoço
CRM-TO 3149 · RQE-TO 2608 · CRM-MA 12535 · RQE-MA 4802

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. A indicação do tratamento é sempre individual.

Referências

  1. National Comprehensive Cancer Network. NCCN Clinical Practice Guidelines in Oncology: Basal Cell Skin Cancer, Version 2.2026. nccn.org
  2. National Comprehensive Cancer Network. NCCN Clinical Practice Guidelines in Oncology: Squamous Cell Skin Cancer, Version 2.2026. nccn.org
  3. National Comprehensive Cancer Network. NCCN Clinical Practice Guidelines in Oncology: Dermatofibrosarcoma Protuberans, Version 2.2026. nccn.org
  4. National Comprehensive Cancer Network. NCCN Guidelines for Patients: Basal Cell Skin Cancer, 2026. nccn.org/patients
  5. Schmults CD et al. Basal Cell Skin Cancer, Version 2.2024, NCCN Clinical Practice Guidelines in Oncology. J Natl Compr Canc Netw. 2023;21(11):1181-1203. jnccn.org
  6. Sociedade Brasileira de Dermatologia. Cirurgia Micrográfica de Mohs. sbd.org.br
  7. Sociedade Brasileira de Dermatologia. SBD fortalece formação de dermatologistas em técnica que reduz recidivas, 2026. sbd.org.br
  8. Cirurgia micrográfica de Mohs: revisão de indicações, técnica, resultados e considerações. An Bras Dermatol. 2021. anaisdedermatologia.org.br
  9. van Loo E et al. Surgical excision versus Mohs’ micrographic surgery for basal cell carcinoma of the face: a randomised clinical trial with 10 year follow-up. Eur J Cancer. 2014;50(17):3011-3020.
  10. Rowe DE, Carroll RJ, Day CL. Long-term recurrence rates in previously untreated (primary) basal cell carcinoma: implications for patient follow-up. J Dermatol Surg Oncol. 1989;15(3):315-328.
  11. Connolly SM et al. AAD/ACMS/ASDSA/ASMS 2012 appropriate use criteria for Mohs micrographic surgery. J Am Acad Dermatol. 2012;67(4):531-550.

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